domingo, 26 de novembro de 2017

Prova trimestral 2017- material de estudo

    
A ESCOLA DE FRANKFURT
 por :Paulo Silvino Ribeiro-Bacharel em Ciências Sociais pela UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

A Escola de Frankfurt consistia em um grupo de intelectuais que na primeira metade do século passado produzia um pensamento conhecido como Teoria Crítica. Dentre eles temos Theodor Adorno, Max Horkheimer, Herbert Marcuse e Walter Benjamim. Com a II Guerra Mundial, eles saíram de Frankfurt, na Alemanha, para se refugiar nos Estados Unidos, voltando apenas na década de 50.
Na Europa do início do século XX, os rumos e os resultados a que se chegaram com os feitos políticos em nome do proletariado e de uma ideologia marxista começaram a ser reavaliados por alguns intelectuais. A ideia de que a luta entre burgueses e proletariado iria resolver as coisas era questionada ao se perceber o crescimento de uma classe média. Segundo consta, esta geração (subsequente aos primeiros marxistas) que conciliava a teoria (o trabalho intelectual) com o comando do partido socialista tinha o mal-estar de não possuir uma definição exata do marxismo.
O marxismo até então era consenso no Partido da Social Democracia, o qual entendia teoria e prática como palavras sinônimas. Por volta de 1900, ocorreu uma espécie de divisão, na qual as duas partes (teoria e prática) discutiam a realidade e os rumos do marxismo. O contexto europeu da primeira metade do século será fundamental para se compreender as bases do que veio a ser o “marxismo ocidental” como resposta aos impasses teóricos e políticos. Segundo Perry Anderson, o fascismo e o stalinismo foram as duas grandes tragédias que, de formas diferentes, se abateram sobre o movimento operário europeu no período entreguerras e que, juntos, pulverizaram e destruíram os potenciais criadores de uma teoria marxista nativa ligada à prática das massas do proletariado ocidental.
Enquanto teoria, o marxismo se tornava algo muito diferente de tudo o que o precedera, acarretando como ponto alto dessa mudança o deslocamento dos temas e das preocupações da intelectualidade marxista. As gerações que comporiam o marxismo ocidental (as quais assim o fizeram sem ter consciência disso, sem ter um ”projeto” definido com este nome) não eram mais os engajados líderes políticos de outrora, mas agora elaboravam uma produção intelectual que, em certa medida, se devia ao engajamento político do passado. Afastavam-se daquele passado clássico (do ponto de vista teórico) e, ao mesmo tempo, reavaliavam os resultados do marxismo no presente.
Desse modo, nasceu a Escola de Frankfurt, a qual se dedicou, a partir da década de 20, ao estudo dos problemas tradicionais do movimento operário, unindo trabalho empírico e análise teórica. Em virtude da perda de sua tradição intelectual, o marxismo para os frankfurtianos será alvo de um movimento autorreflexivo. O que será característico no marxismo ocidental é esta autorreflexão do que era, foi e seria futuramente o marxismo, com obras que trataram de temas como o “novo” papel do materialismo histórico, o conceito de história, a tomada da consciência de classe, a cultura, a arte, literatura, enfim, todos considerados como categorias e instrumentos para se pensar as transformações, a validade, as limitações, possíveis caminhos e leituras do marxismo diante da sociedade industrializada moderna. Segundo Danilo Marcondes, os autores ligados à Escola de Frankfurt não se pretendiam realmente comentadores ou intérpretes do pensamento de Marx, mas tinham como proposta buscar inspiração no marxismo para uma análise da sociedade contemporânea.
Para os frankfurtianos, a razão que desponta com a valorização da ciência cada vez mais evidente, trata-se de uma razão instrumental. Assim, o que se tinha era uma racionalidade de cunho positivista que visava a dominação e intervenção na natureza a serviço do poder do capital, estendendo-se esta dominação também aos homens, cada vez mais alienados dos processos sociais em que estavam envolvidos. Logo a ciência não seria imparcial, mas controlaria o exterior e o interior do homem. Ainda segundo Danilo Marcondes, para a Escola de Frankfurt alguns dos aspectos centrais dessa dominação da técnica seriam a indústria cultural e a massificação do conhecimento, da arte e da cultura que se produzia naquele contexto diluindo-se assim a força expressiva de cada um, seus significados próprios, transformando tudo em objeto de consumo.
Assim, os intelectuais da Escola de Frankfurt conduziram suas obras a uma esfera crítica e reflexiva quanto ao marxismo, abordando categorias e conceitos que ora dizem muito sobre as consequências e rumos da prática marxista do passado e daquele momento em que escreviam, ora dizem respeito a uma espécie de proposta ou releitura daquilo que poderia (ou não) e mereceria ser feito. Logo, será da preocupação em sugerir e descortinar uma realidade reificada e “contaminada” pela lógica capitalista que nascerão tais trabalhos, num questionamento quanto às maneiras de se alcançar a efetiva tomada da consciência de classe e, dessa forma, superar a conjuntura capitalista dada.
Indústria Cultural

O termo “Indústria Cultural” (do alemão, Kulturindustrie) foi desenvolvido pelos intelectuais da Escola de Frankfurt, especialmente Max Horkheimer (1895-1973) e Theodor Adorno (1903-1969).
A expressão surgiu na década de 1940, no livro “Dialética do Esclarecimento: Fragmentos Filosóficos”, escrito em 1942 e publicado em 1972.
Conceito e Principais Características
O termo designa o fazer cultural e artístico sob a lógica da produção industrial capitalista.
Possui como corolários o lucro acima de tudo e a idealização de produtos adaptados para consumo das massas.
Vale destacar a influência marxista desta interpretação, a qual pressupõe a economia enquanto "mola propulsora" da realidade social.
Na Indústria Cultural se fabricam ilusões padronizadas e extraídas do manancial cultural e artístico. Estas se mercantilizam sob o aspecto de produtos culturais voltados para obter lucro.
Além disso, tem o intuito de reproduzir os interesses das classes dominantes, legitimando-as e perpetuando-as socialmente.
Assim, ao submeter os consumidores à lógica da Indústria Cultural, a classe dominante aliena as dominadas.
Como resultado, torna os dominados incapazes de elaborarem um pensamento crítico que impeça a reprodução ideológica do sistema capitalista.
Por outro lado, o aperfeiçoamento tecnológico da Indústria Cultural permitiu que se perpetuasse o desejo de posse pela renovação técnico-científica.
Ademais, qualquer comportamento desviante das necessidades do consumo é combatido e tratado como anormal pela Indústria Cultural.
A cultura popular e erudita são simplificadas e falsificadas para se transformarem em produtos consumíveis.

Qual o questionamento de Adrono e Horkheimer?

Descobrir porque a humanidade, em vez de entrar em um estado verdadeiramente humano, está se afundando em uma nova espécie de barbárie.

Jurgen Habermas

Quero apresentar para vocês algumas reflexões filosóficas de Jurgen Habermas, as quais podem contribuir com uma boa fundamentação argumentativa em sua redação.
Os conceitos apresentados podem ser utilizados em diversos temas, tais como: valorização da razão, ação comunicativa (importância do debate), resistência à lógica instrumental capitalista, ética, democracia, etc.
Habermas é um notório filósofo e sociólogo de nossa atualidade – nasceu em 1929 e ainda está vivo =).
Assim como os demais pensadores que fizeram parte da Escola de Frankfurt, presenciou os regimes fascistas e nazistas, contexto este que influenciou os teóricos frankfurtianos
Jurgen Habermas discordou de vários pontos (uso da razão, verdade, cultura e democracia) dos filósofos Adorno e Horkheimer, tentando superar o pessimismo deles, uma vez que estes defendiam que a lógica capitalista entranhou toda a produção humana (Indústria Cultural) e de que não havia mais o que fazer.
Se para Adorno e Horkheimer a razão emancipatória estava sufocada pela lógica capitalista, que teria absorvido a consciência do proletariado, Habermas vai defender que esta postura de uma crítica radical à modernidade poderia levar ao irracionalismo e a um projeto de sociedade esvaziado, sem perspectiva. Para ele, a razão não pode ser reduzida à sua perversidade utilitarista, já que ela traz consigo uma função comunicativa. Ainda, Habermas defende que o projeto de modernidade não se concretizou e há um potencial para a racionalização do mundo. Devido a essa postura, Habermas rompeu com a Escola de Frankfurt e é considerado o “último grande racionalista”.
Habermas também fez críticas a vários pontos da teoria marxista, como a centralidade do trabalho e a identificação do proletariado como agente de transformação, elaborando uma nova perspectiva centrada na razão e na ação comunicativa, que se fundamenta nodiálogo e na argumentação entre os agentes interessados em determinada situação.
A ação comunicativa, isto é, o uso da linguagem e da conversação como meio de conseguir o consenso será uma de suas propostas. A linguagem é considerada em sua teoria uma forma de ação, na qual os indivíduos compartilham um mundo objetivo, um mundo social e um mundo subjetivo. Defende que a verdade seja entendida como uma verdade intersubjetiva (entre sujeitos diversos) e não mais como uma adequação do pensamento à realidade ou de uma verdade subjetiva. No diálogo de ação comunicativa há regras: a não contradição, a clareza de argumentação e a falta de constrangimentos de ordem social.
Nesta perspectiva, tanto verdade como razão deixam de ser valores absolutos, mas construção consensual entre as partes. Esse diálogo é aperfeiçoado na prática democrática.Dessa forma, procura por meio da razão comunicativa fazer uma resistência à razão instrumental (lógica capitalista e de interesse individual) e resgatar a importância da razão para avanços na sociedade. Neste sentido, há uma ética discursiva, isto é, em vez de um sujeito buscar influenciar outros e criar leis universais, precisa desenvolver uma discussão na qual as questões morais sejam objeto de debates, portanto, uma norma ética só é válida se for discutidaEssa ética da discussão se realiza nas esferas públicas, nas quais, talvez, o mais importante não é convencer, mas abrir espaço para ser convencido de ideias melhores.
Raphael de Oliveira Reis























Nenhum comentário:

Postar um comentário