A ESCOLA DE FRANKFURT
por :Paulo Silvino Ribeiro-Bacharel em Ciências Sociais pela UNICAMP -
Universidade Estadual de Campinas
A Escola de Frankfurt consistia
em um grupo de intelectuais que na primeira metade do século passado produzia
um pensamento conhecido como Teoria Crítica. Dentre eles temos Theodor Adorno,
Max Horkheimer, Herbert Marcuse e Walter Benjamim. Com a II Guerra Mundial,
eles saíram de Frankfurt, na Alemanha, para se refugiar nos Estados Unidos,
voltando apenas na década de 50.
Na Europa do início do século XX,
os rumos e os resultados a que se chegaram com os feitos políticos em nome do
proletariado e de uma ideologia marxista começaram a ser reavaliados por alguns
intelectuais. A ideia de que a luta entre burgueses e proletariado iria
resolver as coisas era questionada ao se perceber o crescimento de uma classe
média. Segundo consta, esta geração (subsequente aos primeiros marxistas) que
conciliava a teoria (o trabalho intelectual) com o comando do partido
socialista tinha o mal-estar de não possuir uma definição exata do marxismo.
O marxismo até então era consenso
no Partido da Social Democracia, o qual entendia teoria e prática como palavras
sinônimas. Por volta de 1900, ocorreu uma espécie de divisão, na qual as duas
partes (teoria e prática) discutiam a realidade e os rumos do marxismo. O
contexto europeu da primeira metade do século será fundamental para se compreender
as bases do que veio a ser o “marxismo ocidental” como resposta aos impasses
teóricos e políticos. Segundo Perry Anderson, o fascismo e o stalinismo foram
as duas grandes tragédias que, de formas diferentes, se abateram sobre o
movimento operário europeu no período entreguerras e que, juntos, pulverizaram
e destruíram os potenciais criadores de uma teoria marxista nativa ligada à
prática das massas do proletariado ocidental.
Enquanto teoria, o marxismo se
tornava algo muito diferente de tudo o que o precedera, acarretando como ponto
alto dessa mudança o deslocamento dos temas e das preocupações da
intelectualidade marxista. As gerações que comporiam o marxismo ocidental (as
quais assim o fizeram sem ter consciência disso, sem ter um ”projeto” definido
com este nome) não eram mais os engajados líderes políticos de outrora, mas
agora elaboravam uma produção intelectual que, em certa medida, se devia ao
engajamento político do passado. Afastavam-se daquele passado clássico (do
ponto de vista teórico) e, ao mesmo tempo, reavaliavam os resultados do
marxismo no presente.
Desse modo, nasceu a Escola de
Frankfurt, a qual se dedicou, a partir da década de 20, ao estudo dos problemas
tradicionais do movimento operário, unindo trabalho empírico e análise teórica.
Em virtude da perda de sua tradição intelectual, o marxismo para os
frankfurtianos será alvo de um movimento autorreflexivo. O que será
característico no marxismo ocidental é esta autorreflexão do que era, foi e
seria futuramente o marxismo, com obras que trataram de temas como o “novo”
papel do materialismo histórico, o conceito de história, a tomada da
consciência de classe, a cultura, a arte, literatura, enfim, todos considerados
como categorias e instrumentos para se pensar as transformações, a validade, as
limitações, possíveis caminhos e leituras do marxismo diante da sociedade
industrializada moderna. Segundo Danilo Marcondes, os autores ligados à Escola
de Frankfurt não se pretendiam realmente comentadores ou intérpretes do
pensamento de Marx, mas tinham como proposta buscar inspiração no marxismo para
uma análise da sociedade contemporânea.
Para os frankfurtianos, a razão
que desponta com a valorização da ciência cada vez mais evidente, trata-se de
uma razão instrumental. Assim, o que se tinha era uma racionalidade de cunho
positivista que visava a dominação e intervenção na natureza a serviço do poder
do capital, estendendo-se esta dominação também aos homens, cada vez mais
alienados dos processos sociais em que estavam envolvidos. Logo a ciência não
seria imparcial, mas controlaria o exterior e o interior do homem. Ainda
segundo Danilo Marcondes, para a Escola de Frankfurt alguns dos aspectos
centrais dessa dominação da técnica seriam a indústria cultural e a
massificação do conhecimento, da arte e da cultura que se produzia naquele
contexto diluindo-se assim a força expressiva de cada um, seus significados
próprios, transformando tudo em objeto de consumo.
Assim, os intelectuais da Escola
de Frankfurt conduziram suas obras a uma esfera crítica e reflexiva quanto ao
marxismo, abordando categorias e conceitos que ora dizem muito sobre as
consequências e rumos da prática marxista do passado e daquele momento em que
escreviam, ora dizem respeito a uma espécie de proposta ou releitura daquilo
que poderia (ou não) e mereceria ser feito. Logo, será da preocupação em
sugerir e descortinar uma realidade reificada e “contaminada” pela lógica
capitalista que nascerão tais trabalhos, num questionamento quanto às maneiras
de se alcançar a efetiva tomada da consciência de classe e, dessa forma,
superar a conjuntura capitalista dada.
Indústria
Cultural
O termo “Indústria Cultural” (do alemão, Kulturindustrie)
foi desenvolvido pelos intelectuais da Escola de Frankfurt, especialmente Max
Horkheimer (1895-1973) e Theodor Adorno (1903-1969).
A expressão surgiu na década de 1940, no livro “Dialética do
Esclarecimento: Fragmentos Filosóficos”, escrito em 1942 e publicado em
1972.
Conceito e Principais
Características
O termo designa o fazer cultural e artístico sob a lógica da produção
industrial capitalista.
Possui como corolários o lucro acima de tudo e a idealização de produtos
adaptados para consumo das massas.
Vale destacar a influência marxista desta interpretação, a qual
pressupõe a economia enquanto "mola propulsora" da realidade social.
Na Indústria Cultural se fabricam ilusões padronizadas e extraídas do
manancial cultural e artístico. Estas se mercantilizam sob o aspecto de
produtos culturais voltados para obter lucro.
Além disso, tem o intuito de reproduzir os interesses das classes
dominantes, legitimando-as e perpetuando-as socialmente.
Assim, ao submeter os consumidores à lógica da Indústria Cultural, a
classe dominante aliena as dominadas.
Como resultado, torna os dominados incapazes de
elaborarem um pensamento crítico que impeça a reprodução ideológica do sistema
capitalista.
Por outro lado, o aperfeiçoamento tecnológico da Indústria Cultural
permitiu que se perpetuasse o desejo de posse pela renovação
técnico-científica.
Ademais, qualquer comportamento desviante das necessidades do consumo é
combatido e tratado como anormal pela Indústria Cultural.
A cultura popular e erudita são simplificadas e falsificadas para se
transformarem em produtos consumíveis.
Qual o questionamento de Adrono e Horkheimer?
Descobrir
porque a humanidade, em vez de entrar em um estado verdadeiramente humano, está
se afundando em uma nova espécie de barbárie.
Jurgen
Habermas
Quero
apresentar para vocês algumas reflexões filosóficas de Jurgen Habermas, as
quais podem contribuir com uma boa fundamentação argumentativa em sua redação.
Os
conceitos apresentados podem ser utilizados em diversos temas, tais como:
valorização da razão, ação comunicativa (importância do debate), resistência à
lógica instrumental capitalista, ética, democracia, etc.
Habermas é um
notório filósofo e sociólogo de nossa atualidade – nasceu em 1929 e ainda está
vivo =).
Assim
como os demais pensadores que fizeram parte da Escola de Frankfurt, presenciou
os regimes fascistas e nazistas, contexto este que influenciou os
teóricos frankfurtianos.
Jurgen Habermas discordou
de vários pontos (uso da razão, verdade, cultura e democracia) dos filósofos
Adorno e Horkheimer, tentando superar o pessimismo deles, uma vez que estes
defendiam que a lógica capitalista entranhou toda a produção humana (Indústria
Cultural) e de que não havia mais o que fazer.
Se para
Adorno e Horkheimer a razão emancipatória estava sufocada pela lógica
capitalista, que teria absorvido a consciência do proletariado, Habermas vai defender que esta postura de uma crítica radical à
modernidade poderia levar ao irracionalismo e a um projeto de sociedade
esvaziado, sem perspectiva. Para ele, a razão não pode ser reduzida à sua perversidade
utilitarista, já que ela traz consigo uma função
comunicativa. Ainda, Habermas defende que o projeto de
modernidade não se concretizou e há um potencial para a racionalização do
mundo. Devido a essa postura, Habermas rompeu com a Escola de Frankfurt e é
considerado o “último grande racionalista”.
Habermas também fez críticas a
vários pontos da teoria marxista, como a centralidade do trabalho e a identificação
do proletariado como agente de transformação,
elaborando uma nova perspectiva centrada na razão e na ação comunicativa, que
se fundamenta nodiálogo e na argumentação entre
os agentes interessados em determinada situação.
A ação comunicativa, isto
é, o uso da linguagem e da conversação como meio de
conseguir o consenso será uma de suas propostas. A linguagem é
considerada em sua teoria uma forma de ação, na qual os indivíduos compartilham
um mundo objetivo, um mundo social e um mundo subjetivo. Defende que a verdade
seja entendida como uma verdade intersubjetiva (entre
sujeitos diversos) e não mais como uma adequação do pensamento à realidade ou
de uma verdade subjetiva. No diálogo de ação comunicativa
há regras: a não contradição, a clareza de argumentação e a falta de
constrangimentos de ordem social.
Nesta
perspectiva, tanto verdade como razão deixam
de ser valores absolutos, mas construção consensual entre as partes.
Esse diálogo é aperfeiçoado na prática democrática.Dessa forma, procura por meio da razão comunicativa fazer uma resistência
à razão instrumental (lógica capitalista e de interesse individual) e resgatar
a importância da razão para avanços na sociedade. Neste
sentido, há uma ética discursiva,
isto é, em vez de um sujeito buscar influenciar outros e criar leis universais,
precisa desenvolver uma discussão na qual as questões morais sejam objeto de
debates, portanto, uma norma ética só é válida se
for discutida. Essa ética da discussão se
realiza nas esferas públicas, nas quais, talvez, o mais importante não é
convencer, mas abrir espaço para ser convencido de ideias melhores.
Raphael de Oliveira Reis
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