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Ideologia Cazuza
Composição:
Cazuza / Frejat(1988)
Meu partido
É um coração partido E as ilusões Estão todas perdidas Os meus sonhos Foram todos vendidos Tão barato Que eu nem acredito Ah! eu nem acredito... Que aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Frequenta agora As festas do "Grand Monde"... Meus heróis Morreram de overdose Meus inimigos Estão no poder |
Ideologia!
Eu quero uma prá viver Ideologia! Eu quero uma prá viver... Quem eu sou Ah! saber quem eu sou.. O meu prazer Agora é risco de vida Meu sex and drugs
Não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar A conta do analista Prá nunca mais Ter que saber Quem eu sou Ah! saber quem eu sou.. Pois aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Agora assiste a tudo Em cima do muro Em cima do muro |
Meus heróis......
Pois aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Agora assiste a tudo Em cima do muro Em cima do muro... Meus heróis Morreram de overdose Meus inimigos Estão no poder Ideologia! Eu quero uma prá viver Ideologia! Eu quero uma prá viver.. Ideologia! Prá viver Ideologia!
Eu quero uma prá viver
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Meus
heróis morreram de overdose. Os meus inimigos estão no poder.”
Com música de Roberto Frejat e letra de Cazuza, Ideologia é
a faixa-título do terceiro álbum solo de Cazuza. Além disso, é a canção que
abre o primeiro álbum do compositor após a confirmação de que ele era aidético.
Considerada a melhor canção de sua carreira solo, Ideologia levou
o prêmio de música do ano, em 1988.
Tudo o que acontecia no Brasil, no mundo e principalmente
na vida de Cazuza está em Ideologia. O garoto que queria mudar o
mundo agora se vê frágil, diante de um país sem ideologia definida. A crise dos
partidos políticos e a queda da ditadura militar aparece já nos primeiros
versos da letra. Toda a ideologia pregada por Cazuza, como a de sexo, drogas e
Rock n’ Roll vai por água abaixo, quando ele percebe que é impossível viver
assim. As pessoas que Cazuza via como heróis agora foram deixados para trás e o
garoto que sonhava em ser herói agora tem de conviver com uma das maiores
doenças da década de 80, a AIDS.
A queda do Muro de Berlim, um ano depois da música, provou
que as ideologias realmente estavam mudando.
O que mais chama atenção na letra da música é o
verso “meu prazer agora é risco de vida”. Com esse verso, Cazuza,
pela primeira vez, assume que a doença mexeu com a vida dele e que o sexo, que
ele sempre declarou ser o maior prazer do mundo, não pode mais fazer parte de
sua vida.
Com a canção, Cazuza diz buscar uma ideologia, sem
perceber que naquela obra estava sendo escrita uma ideologia. A ideologia
crítica, que o consagrou como um dos maiores compositores brasileiros de todos
os tempos
Ideologia e Alienação
A
Filosofia tem o interesse de romper com círculos fechados de condicionamentos
aprisionadores. Mesmo sendo um saber antigo, está sempre recomeçando. Isso
acontece, porque mesmo que eu me inspire em pensadores do passado, tenho a
liberdade de repensar o que já foi pensado. O pensamento se torna grande,
quando pode ser repensado e quando nunca se esgota. Somos incentivados por ela
a criar um senso crítico, autônomo de forma a não nos deixar presos à
experiência coletiva.
A consciência ingênua, aceita passivamente a realidade como lhe é apresentada. É conformista, adaptando-se sem fazer perguntas. A Filosofia nos capacita em uma consciência crítica, onde seja possível dialogar com todos os níveis da vida para vivê-la plenamente.
Alienação é um processo pelo qual uma pessoa vive para o outro e para a realidade do outro. Perde-se a consciência de si mesmo e da sua realidade e vive-se em função do outro e de outra realidade. Existe a alienação religiosa que surgiu da necessidade do homem de explicar a origem e a finalidade do mundo e da vida. Como não consegue explicar, projeta um ser superior e atribui a este mesmo ser a origem de tudo. O homem não se conhece como agente da história. Ele desconhece que é ele mesmo que cria a sua realidade, sociedade, política e divisão social do trabalho. Esse desconhecimento chama-se alienação social. Marx define a alienação econômica como exploração do trabalho. O trabalhador produz, mas não recebe o valor merecido pela sua produção. O trabalhador é, dessa forma, desumanizado e transformado na condição de produto. O homem se aliena da sua humanidade quando é transformado pelas relações de produção em mercadoria.
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