quinta-feira, 9 de julho de 2015

Filosofia Patrística e Medieval

FILOSOFIA PATRÍSTICA (século I ao século VII)

Inicia-se com as Epístolas de São Paulo e o Evangelho de São João e termina no século VIII, quando teve inicio a filosofia Medieval.
A filosofia desse período é conhecida com o nome patrística, pois foi obra não só de dois apóstolos (Paulo e João) mas também dos chamados Padres  da Igreja, isto é, dos primeiros dirigentes espirituais e políticos cristianismo, após a morte dos apóstolos.
A Patrística resultou do esforço feito pelos dois  apóstolos  intelectuais (Paulo e João) e pelos primeiros  padres da Igreja para conciliar a nova religião - o cristianismo - com o pensamento filosófico dos gre­gos e romanos, pois somente com tal conciliação seria possível convencer os pagãos da nova verdade e con­vertê-los a ela. A filosofia patrística liga -se,portanto, à tarefa religiosa da evangelização e à defesa religião cristã contra os ataques teóricos e morais  que  recebia dos antigos. Seus nomes mais importantes foram Justino, Tertuliano, Orígenes, Clemente, Eusé­bio, Santo Ambrósio, São Gregório Nazianzo, São João Crisóstomo, Santo Agostinho e Boécio.

A patrística foi obrigada a introduzir idéias desco­nhecidas para os filósofos Greco-romanos: a idéia de criação do mundo a partir do nada, de pecado original do homem e, de Deus com trindade una, de encarnação e morte de Deus, de juízo final ou de fim dos tempos e ressurreição dos mortos, etc. Precisou também explicar como o mal pode existir no mundo uma vez que tudo foi criado por Deus, que é pura perfeição e bondade
Introduziu, sobretudo com Santo Agostinho e Boécio, a idéia de “homem interior”, isto é, da consciência moral e do livre-arbítrio da vontade, pelo qual o homem, por ser dotado de liberdade para escolher entre o bem e o mal, é o responsável pela existência do mal no mundo.
Para impor as idéias cristãs, os padres da Igreja as transformaram em verdade reveladas por Deus(por meio da Bíblia e dos santos) que, por serem decretos divinos, seriam dogmas, isto é, verdade irrefutáveis e inquestionáveis. Com isso, surge uma distinção, desconhecida pelos antigos, entre verdades reveladas ou da fé e verdades da razão ou humanas, as primeiras introduzindo a noção de conhecimento recebido por uma graça divina, superior ao simples conhecimento racional. Dessa forma, o grande tema de toda a filosofia patrística é o da possibilidade ou impossibilidade de conciliar a razão e a fé. A esse respeito, havia três posições principais:
1.Os que julgavam fé e razão irreconciliáveis e fé superior  à razão (diziam eles: "Creio porque absurdo."
2.Os que julgavam fé e razão conciliáveis, mas subordi­navam a razão à fé (diziam eles: "Creio para compreen­der.").
3.Os que julgavam razão e fé irreconciliáveis, mas afir­mavam que cada uma delas tem seu campo próprio de conhecimento e não devem se misturar (a razão se refere a tudo o que concerne à vida temporal dos ho­mens no mundo; a fé, a tudo o que se refere à salvação da alma e à vida eterna futura).
Filosofia Medieval (do século VIII ao século XIV)
Abrange pensadores europeus, árabes e judeus.
É o período em que a Igreja Romana dominava a Europa, ungia e coroava reis, organizava Cruzadas à Terra Santa e criava, à volta das catedrais, as primeiras universidades ou escolas. E, a partir do século XII, por ter sido ensinada nas escolas, a filosofia medieval também é conhecida com o nome de escolástica.
A filosofia medieval teve como influências princi­pais Platão e Aristóteles, embora o Platão conhecido pelos medievais fosse o neoplatônico (isto é, interpre­tado pelo filósofo Plotino, do século VI d.C), e o Aris­tóteles por eles conhecido fosse aquele conservado e traduzido pelos árabes, particularmente Avicena e Averróis.
Conservando e discutindo os mesmos problemas que a patrística, a filosofia medieval acrescentou ou­tros e, além de Platão e Aristóteles, sofreu uma gran­de influência das idéias de Santo Agostinho. Durante esse período surge propriamente a filosofia cristã, que é, na verdade, a teologia.
A diferença e separação entre infinito (Deus) e finito (homem, mundo), a diferença entre razão e fé (a primeira deve subordinar-se à segunda), a diferen­ça e separação entre corpo (matéria) e alma (espírito), o Universo como uma hierarquia de seres, pela qual os superiores dominam e governam os inferiores (Deus,serafins, querubins, arcanjos, anjos, alma,corpo, animais, vegetais, minerais), a subordinação do poder temporal dos reis e barões ao poder espiritual: eis os grande temas da filosofia Medieval..
Outra  característica marcante da escolástica foi método por ela inventado para expor as idéias filosó­ficas, conhecido como disputa: apresentava-se uma  idéia e esta devia ser ou refutada ou defendida com argumentos  tirados da Bíblia, de Aristóteles, de Platão ou de outras Padres da Igreja, particularmente Pedro Lombardo .
Assim, uma idéia era considerada uma tese ver­dadeira ou  falsa dependendo da força e da qualida­de  dos argumentos encontrados nos vários autores. Por causa desse método de disputa, costuma-se dizer que, na Idade Média, o pensamento estava ,subordinado ao princípio da autoridade, isto é, uma idéia  é considerada verdadeira se for baseada nos argumentos de uma autoridade reconhecida - Bí­blia, Platão, Aristóteles, um papa, um santo.


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