terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Agrupamentos Sociais

Os agrupamentos sociais

Grupo Social
Para a Sociologia, grupo social é toda reunião mais ou menos estável de duas ou mais pessoas associadas pela interação. Devido à interação social, os grupos têm de manter alguma forma de organização, no sentido de realizar ações conjuntas de interesse comum a todos os seus membros.
Os grupos sociais apresentam normas, hábitos e costumes próprios, divisão de funções e posições sociais definidas. Como exemplos podemos apontar a família, a escola, a Igreja, o clube, a nação etc.

Principais grupos sociais
Ao longo da vida, as pessoas participam geralmente de vários grupos sociais. Eis alguns deles:
  • grupo familiar - representado pela família;
  • grupo vicinal - formado pela vizinhança;
  • grupo educativo - desenvolvido na escola;
·         grupo religioso - representado pelas instituições religiosas (católica, evangélica, espírita etc.) ;
·         grupo de lazer - formado por clubes, associações esportivas, grupos de teatro etc.;
·         grupo profissional - constituído por profissionais que trabalham em empresas, escritórios, lojas etc.;
·         grupo político - formado pelos militantes de um partido político, por integrantes de organismos do Estado etc.
O boxe a seguir fala de um tipo de grupo comum nas grandes cidades e das interações sociais que se estabelecem entre seus membros, que são de interesse da Sociologia.

Agregados sociais
        Agregado social é uma reunião de pessoas com fraco sentimento grupal e frouxamente aglomeradas. Mesmo assim, conseguem manter entre si um mínimo de comunicação e de relações sociais.
O agregado social se caracteriza por não ser organizado - não tem estrutura estável nem hierarquia de posições e funções. As pessoas que dele participam são relativamente anônimas, isto é, são praticamente desconhecidas entre si. O contato social entre elas é limitado e de pequena duração.
Tipos de agregados sociais
Os principais tipos de agregados sociais são a multidão, o público e a massa.
Multidão
Um grupo de pessoas observando um incêndio e uma reunião de foliões que se encontram na rua para brincar o carnaval são exemplos de multidão. No carnaval do Recife, por exemplo, o bloco Galo da Madrugada consegue juntar mais de 1 milhão de pessoas em seus desfiles.


Segundo o pensador russo Mikhail Bakhtin, o carnaval transgride as hierarquias da ordem social estabelecida e permite às pessoas inverter seus papéis sociais rotineiros. Assim, um trabalhador pobre pode se transformar em príncipe, conde ou pirata por três dias e um homem se travesti r de mulher. Essa inversão de papéis revela a intenção de quebrar a rotina do trabalho obrigatório e criar uma realidade de alegria e expansão dos sentidos. É para isso que a multidão se reúne em agregados sociais, como os blocos de carnaval. Na foto, desfile do Galo da Madrugada, tradicional bloco carnavalesco de Pernambuco. Recife, Pernambuco, fevereiro de 1995.

Principais características da multidão:
·       falta de organização - apesar de contar, eventualmente, com um líder, a multidão não conta com um conjunto próprio de normas; seus membros não ocupam posições definidas no agregado;
  • anonimato - os componentes da multidão são anônimos, pois, ao se integrarem à multidão, seu nome, sua profissão ou posição social não são levados em conta, não têm importância alguma no agregado;
  • objetivos comuns - os interesses, as emoções e os atos são coletivos numa multidão;
  • indiferenciação - não há espaço para as diferenças individuais se manifestarem, o que torna iguais seus integrantes;
  • proximidade física - seus componentes ficam próximos uns dos outros, mantendo contato direto e temporário.
A multidão pode assumir uma forma pacífica ou violenta. Nesse caso, ela é chamada de turba.


Público
O público é um agrupamento de pessoas que seguem os mesmos estímulos. É espontâneo, amorfo, não se baseia no contato físico, mas na comunicação recebida através de diversos meios de comunicação.
Os indivíduos que assistem a uma competição esportiva ou a uma representação teatral ou show musical formam públicos. Todos os indivíduos que compõem o público recebem o mesmo estímulo (que vem da competição esportiva, da peça de teatro, da música etc.). Não se trata de uma multidão porque a integração dos indivíduos que formam o público é geralmente intencional. Na multidão, a integração é ocasional.
Os modos de pensar, agir e sentir do público compõem o que é conhecido como opinião pública.
Para Karl Mannheim, o público é um tipo intermediário entre a multidão e os grupos sociais, porque no público há um tipo primário de organização, pois as pessoas estão sujeitas a certos regulamentos (compra de ingressos, obediência a horários etc.).
Massa
As pessoas que assistem ao mesmo programa de televisão, vêem o mesmo anúncio num cartaz ou lêem em casa o mesmo jornal cons tituem a massa.
Portanto, a massa:
·         é formada por indivíduos que recebem, de maneira mais ou menos passiva, opiniões formadas, que são veiculadas pelos meios de comunicação de massa;
·         consiste num agrupamento relativamente grande de pessoas separadas e desconhecidas umas das outras.
Como não obedece a normas, o processo de formação da massa é espontâneo.
Existe uma certa semelhança entre público e massa, pois também os componentes da massa estão unidos por um estímulo. Mas há uma diferença importante: ao contrário da massa, o público não tem uma atitude passiva diante da mensagem que recebe; ele opina, por meio de palmas, críticas e discussões.
Ou seja, o público não apenas recebe opiniões, mas também exprime a sua. Isso em geral não ocorre com a massa.
Por exemplo, ao assistir a um comício, as pessoas podem aprovar as idéias de um político com palmas, ou reprová-Ias por meio de vaias e impropérios. Algumas delas podem até mesmo externar suas opiniões no meio do público.
Numa sociedade de massa, o tipo de comunicação que predomina é aquele transmitido pelos veículos de comunicação de massa.
Por exemplo, um fabricante de sabonetes, ao anunciar seu produto na televisão, não está procurando divulgá-lo para um conjunto de pessoas concretas, com sexo, cor, instrução ou idade, mas para as que estão diante da tela naquele momento e que, atingidas pela mensagem, eventualmente poderão comprar seu produto, muitas vezes sem necessidade imediata.
Líderes demagógicos podem fazer o mesmo. Através de mecanismos de comunicação de massa podem induzir milhares de pessoas a comportamentos emotivos e irracionais, sem refletir sobre as mensagens que estão receben do. Ao agir dessa forma, o demagogo não objetiva transmitir suas idéias ao cidadão esclarecido, mas a uma massa incorpórea, informe, sem identidade.
De modo geral, podemos dizer que o grupo de indivíduos que se comporta como massa tende a ser manipulado, pois, na maioria das vezes, reage de forma espontânea, impensada, sem ter consciência de grupo.
Mecanismos de sustentação dos grupos sociais
Toda sociedade conta com forças que mantêm coesos os grupos sociais. As principais dentre elas são a liderança, as normas e sanções, os símbolos e os valores sociais.
Liderança
A expressão liderança designa a capacidade de alguém, denominado líder, ou de algumas pessoas, de chefiar, comandar ou orientar um grupo de indivíduos em qualquer tipo de ação. Líder é aquele (ou aquela) que dirige o grupo, transmitindo idéias e valores aos outros membros.
Há dois tipos de liderança:
·   liderança institucional - deriva da autoridade que uma pessoa tem em virtude de sua posição social ou do cargo que ocupa; o gerente de uma fábrica, o pai de família e o diretor de uma escola são líderes institucionais; seu poder de mando vem de seu cargo e de sua posição no grupo;
·   liderança pessoal - é aquela que se origina das qualidades pessoais do líder (inteligência, prestígio social e moral, poder de comunicação, atitudes, encanto pessoal etc.).
Entre os chefes que exercem a liderança pessoal podem surgir líderes carismáticos, ou seja, pessoas dotadas de um encanto pessoal tão forte que os torna, aos olhos de seu público, iluminados, proféticos, ou mesmo sobrenaturais. Alguns exemplos de líderes carismáticos: Fidel Castro, Getúlio Vargas, Evita Perón, Adolf Hitler.


Como peça importante de sustentação do grupo, o líder desempenha um papel integrador entre seus membros, transmitindo-lhes idéias, normas e valores sociais, ao mesmo tempo que representa os interesses e os valores do grupo.
Por seu papel na condução e na sustentação do grupo, o líder é geralmente respeitado por todos os seus membros. Alguns deles chegam mesmo a ser venerados, como é o caso de Mahatma Gandhi (1869-1948), que liderou a luta pela independência da Índia, conquista da em 1947.
Normas e sanções sociais
Toda sociedade e todo grupo social conta com uma série de regras de conduta que lhe dão coesão, orientam e controlam o comportamento das pessoas. Essas regras de ação são chamadas normas sociais.
Segundo o que está socialmente estabelecido, as normas sociais indicam o que é "permitido" - e como tal pode ser seguido - e o que é "proibido" - que não pode ser praticado.
A toda norma social corresponde uma sanção social. A sanção social é uma recompensa ou uma punição que o grupo ou a sociedade atribuem ao indivíduo diante de seu comportamento social.
As sanções sociais podem ser:
·       aprovativas - quando são aplicadas sob a forma de aceitação, aplausos, honrarias, promoções; é o reconhecimento do grupo por ter o indivíduo cumprido o que se esperava dele;
reprovativas - quando correspondem a punições impostas ao indivíduo que desobedece a alguma norma social; tais punições variam de acordo com a importância que a sociedade dá à norma infringida; assim, são sanções reprovativas o insulto, a zombaria, a vaia, a perda dos bens, a prisão e, em alguns países, a pena de morte.
Símbolos
A todo momento nos deparamos com símbolos. Nas igrejas cristãs, por exemplo, a cruz simboliza a fé em Cristo. Nos prédios públicos, a bandeira hasteada simboliza a autonomia e a unidade da nação. A pomba branca é o símbolo da paz.
Um símbolo é algo que representa ou substitui outra coisa, geralmente mais complexa e abstrata. É algo, portanto, cujo valor ou significado é atribuído pelas pessoas que o utilizam. Em nossa sociedade, por exemplo, a aliança é um objeto que simboliza a união e a fidelidade entre os cônjuges no casamento.
Qualquer coisa pode tornar-se um símbolo. As pessoas atribuem significados a um objeto, uma cor, um hino ou um gesto, e estes se tornam símbolos de algo, como a riqueza, o prestígio, a posição social elevada etc. Entre nós, a cor que simboliza o luto é o preto; entre os povos orientais, é o branco. Esse exemplo mostra que os símbolos são convenções, Ou seja, cada sociedade ou grupo social pode se utilizar de símbolos diferentes para exprimir o mesmo significado.
A linguagem é um conjunto de símbolos. Por exemplo, as palavras menino, boy, garçon e bambino significam todas "crianças do sexo masculino", respectivamente em português, inglês, francês e italiano. A linguagem é a mais importante forma de expressão simbólica. Sem a linguagem não haveria organização social humana, em nenhuma de suas manifestações: política, econômica, religiosa, cultural etc. Sem ela provavelmente não existiria nenhuma norma de comportamento, nenhuma espécie de lei, nenhuma criação científica ou literárias .

A criança amadurece e se socializa à medida que aprende a usar símbolos. Podemos dizer que todo comportamento humano é simbólico e todo comportamento simbólico é humano, já que a utilização de símbolos é exclusiva da espécie humana. Sem os símbolos não haveria cultura. 

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