Os
agrupamentos sociais
Grupo Social
Para
a Sociologia, grupo social é toda reunião mais ou menos estável de
duas ou mais pessoas associadas pela interação. Devido à interação
social, os grupos têm de manter alguma forma de organização, no
sentido de realizar ações conjuntas de interesse comum a todos os seus
membros.
Os
grupos sociais apresentam normas, hábitos e costumes próprios, divisão de
funções e posições sociais definidas. Como exemplos podemos apontar a família,
a escola, a Igreja, o clube, a nação etc.
Principais grupos sociais
Ao longo da vida, as pessoas participam
geralmente de vários grupos sociais. Eis alguns deles:
- grupo familiar - representado pela família;
- grupo vicinal -
formado pela vizinhança;
- grupo educativo - desenvolvido na escola;
·
grupo
religioso -
representado pelas instituições religiosas (católica, evangélica, espírita
etc.) ;
·
grupo
de lazer -
formado por clubes, associações esportivas, grupos de teatro etc.;
·
grupo
profissional -
constituído por profissionais que trabalham em empresas, escritórios, lojas etc.;
·
grupo
político -
formado pelos militantes de um partido político, por integrantes de organismos
do Estado etc.
O
boxe a seguir fala de um tipo de grupo comum nas grandes cidades e das
interações sociais que se estabelecem entre seus membros, que são de interesse
da Sociologia.
Agregados sociais
Agregado social é uma
reunião de pessoas com fraco sentimento grupal e frouxamente aglomeradas. Mesmo
assim, conseguem manter entre si um mínimo de comunicação e de relações
sociais.
O
agregado social se caracteriza por não ser organizado - não tem estrutura
estável nem hierarquia de posições e funções. As pessoas que dele participam
são relativamente anônimas, isto é, são praticamente desconhecidas entre si. O
contato social entre elas é limitado e de pequena duração.
Tipos de agregados sociais
Os principais tipos
de agregados sociais são a multidão, o público e a massa.
Multidão
Um grupo de pessoas
observando um incêndio e uma reunião de foliões que se encontram na rua para
brincar o carnaval são exemplos de multidão. No carnaval do Recife, por
exemplo, o bloco Galo da Madrugada consegue juntar mais de 1 milhão de
pessoas em seus desfiles.
Segundo o pensador russo Mikhail Bakhtin, o carnaval transgride as hierarquias da ordem social estabelecida e permite às pessoas inverter seus papéis sociais rotineiros. Assim, um trabalhador pobre pode se transformar em príncipe, conde ou pirata por três dias e um homem se travesti r de mulher. Essa inversão de papéis revela a intenção de quebrar a rotina do trabalho obrigatório e criar uma realidade de alegria e expansão dos sentidos. É para isso que a multidão se reúne em agregados sociais, como os blocos de carnaval. Na foto, desfile do Galo da Madrugada, tradicional bloco carnavalesco de Pernambuco. Recife, Pernambuco, fevereiro de 1995.
Segundo o pensador russo Mikhail Bakhtin, o carnaval transgride as hierarquias da ordem social estabelecida e permite às pessoas inverter seus papéis sociais rotineiros. Assim, um trabalhador pobre pode se transformar em príncipe, conde ou pirata por três dias e um homem se travesti r de mulher. Essa inversão de papéis revela a intenção de quebrar a rotina do trabalho obrigatório e criar uma realidade de alegria e expansão dos sentidos. É para isso que a multidão se reúne em agregados sociais, como os blocos de carnaval. Na foto, desfile do Galo da Madrugada, tradicional bloco carnavalesco de Pernambuco. Recife, Pernambuco, fevereiro de 1995.
Principais características da multidão:
· falta de organização - apesar de contar, eventualmente, com
um líder, a multidão não conta com um conjunto próprio de normas; seus membros
não ocupam posições definidas no agregado;
- anonimato - os componentes da multidão
são anônimos, pois, ao se integrarem à multidão, seu nome, sua profissão
ou posição social não são levados em conta, não têm importância alguma no
agregado;
- objetivos comuns - os interesses, as emoções e os atos são coletivos numa multidão;
- indiferenciação - não há espaço para as
diferenças individuais se manifestarem, o que torna iguais seus
integrantes;
- proximidade física - seus componentes ficam
próximos uns dos outros, mantendo contato direto e temporário.
A multidão pode assumir uma forma
pacífica ou violenta. Nesse caso, ela é chamada de turba.
Público
O
público é um agrupamento de pessoas que seguem os mesmos estímulos. É
espontâneo, amorfo, não se baseia no contato físico, mas na comunicação
recebida através de diversos meios de comunicação.
Os
indivíduos que assistem a uma competição esportiva ou a uma representação
teatral ou show musical formam públicos. Todos os indivíduos que compõem o
público recebem o mesmo estímulo (que vem da competição esportiva, da peça de
teatro, da música etc.). Não se trata de uma multidão porque a integração dos
indivíduos que formam o público é geralmente intencional. Na multidão, a
integração é ocasional.
Os
modos de pensar, agir e sentir do público compõem o que é conhecido como
opinião pública.
Para
Karl Mannheim, o público é um tipo intermediário entre a multidão e os grupos
sociais, porque no público há um tipo primário de organização, pois as pessoas
estão sujeitas a certos regulamentos (compra de ingressos, obediência a
horários etc.).
Massa
As
pessoas que assistem ao mesmo programa de televisão, vêem o mesmo anúncio num
cartaz ou lêem em casa o mesmo jornal cons tituem a massa.
Portanto, a massa:
·
é
formada por indivíduos que recebem, de maneira mais ou menos passiva, opiniões
formadas, que são veiculadas pelos meios de comunicação de massa;
·
consiste
num agrupamento relativamente grande de pessoas separadas e desconhecidas umas
das outras.
Como não obedece a
normas, o processo de formação da massa é espontâneo.
Existe
uma certa semelhança entre público e massa, pois também os componentes da massa
estão unidos por um estímulo. Mas há uma diferença importante: ao contrário da
massa, o público não tem uma atitude passiva diante da mensagem que recebe; ele
opina, por meio de palmas, críticas e discussões.
Ou
seja, o público não apenas recebe opiniões, mas também exprime a sua. Isso em
geral não ocorre com a massa.
Por
exemplo, ao assistir a um comício, as pessoas podem aprovar as idéias de um
político com palmas, ou reprová-Ias por meio de vaias e impropérios. Algumas
delas podem até mesmo externar suas opiniões no meio do público.
Numa
sociedade de massa, o tipo de comunicação que predomina é aquele transmitido
pelos veículos de comunicação de massa.
Por
exemplo, um fabricante de sabonetes, ao anunciar seu produto na televisão, não
está procurando divulgá-lo para um conjunto de pessoas concretas, com sexo,
cor, instrução ou idade, mas para as que estão diante da tela naquele momento e
que, atingidas pela mensagem, eventualmente poderão comprar seu produto, muitas
vezes sem necessidade imediata.
Líderes
demagógicos podem fazer o mesmo. Através de mecanismos de comunicação de massa
podem induzir milhares de pessoas a comportamentos emotivos e irracionais, sem
refletir sobre as mensagens que estão receben do. Ao agir dessa forma, o
demagogo não objetiva transmitir suas idéias ao cidadão esclarecido, mas a uma
massa incorpórea, informe, sem identidade.
De
modo geral, podemos dizer que o grupo de indivíduos que se comporta como massa
tende a ser manipulado, pois, na maioria das vezes, reage de forma espontânea,
impensada, sem ter consciência de grupo.
Mecanismos
de sustentação dos grupos sociais
Toda
sociedade conta com forças que mantêm coesos os grupos sociais. As principais
dentre elas são a liderança, as normas e sanções, os símbolos e os valores
sociais.
Liderança
A
expressão liderança designa a capacidade de alguém, denominado líder, ou de
algumas pessoas, de chefiar, comandar ou orientar um grupo de indivíduos em
qualquer tipo de ação. Líder é aquele (ou aquela) que dirige o grupo,
transmitindo idéias e valores aos outros membros.
Há dois tipos de liderança:
·
liderança
institucional -
deriva da autoridade que uma pessoa tem em virtude de sua posição social ou do
cargo que ocupa; o gerente de uma fábrica, o pai de família e o diretor de uma
escola são líderes institucionais; seu poder de mando vem de seu cargo e
de sua posição no grupo;
·
liderança
pessoal -
é aquela que se origina das qualidades pessoais do líder (inteligência,
prestígio social e moral, poder de comunicação, atitudes, encanto pessoal
etc.).
Entre
os chefes que exercem a liderança pessoal podem surgir líderes carismáticos,
ou seja, pessoas dotadas de um encanto pessoal tão forte que os torna, aos
olhos de seu público, iluminados, proféticos, ou mesmo sobrenaturais. Alguns
exemplos de líderes carismáticos: Fidel Castro, Getúlio Vargas, Evita Perón,
Adolf Hitler.
Como
peça importante de sustentação do grupo, o líder desempenha um papel integrador
entre seus membros, transmitindo-lhes idéias, normas e valores sociais, ao
mesmo tempo que representa os interesses e os valores do grupo.
Por
seu papel na condução e na sustentação do grupo, o líder é geralmente
respeitado por todos os seus membros. Alguns deles chegam mesmo a ser
venerados, como é o caso de Mahatma Gandhi (1869-1948), que liderou a luta pela
independência da Índia, conquista da em 1947.
Normas e sanções sociais
Toda
sociedade e todo grupo social conta com uma série de regras de conduta que lhe
dão coesão, orientam e controlam o comportamento das pessoas. Essas regras de
ação são chamadas normas sociais.
Segundo
o que está socialmente estabelecido, as normas sociais indicam o que é
"permitido" - e como tal pode ser seguido - e o que é
"proibido" - que não pode ser praticado.
A
toda norma social corresponde uma sanção social. A sanção
social é uma recompensa ou uma punição que o grupo ou a sociedade atribuem
ao indivíduo diante de seu comportamento social.
As sanções sociais podem ser:
·
aprovativas
- quando são
aplicadas sob a forma de aceitação, aplausos, honrarias, promoções; é o
reconhecimento do grupo por ter o indivíduo cumprido o que se esperava dele;
reprovativas - quando correspondem a punições
impostas ao indivíduo que desobedece a alguma norma social; tais punições
variam de acordo com a importância que a sociedade dá à norma infringida;
assim, são sanções reprovativas o insulto, a zombaria, a vaia, a perda dos
bens, a prisão e, em alguns países, a pena de morte.
Símbolos
A
todo momento nos deparamos com símbolos. Nas igrejas cristãs, por exemplo, a
cruz simboliza a fé em Cristo. Nos prédios públicos, a bandeira hasteada
simboliza a autonomia e a unidade da nação. A pomba branca é o símbolo da paz.
Um
símbolo é algo que representa ou substitui outra coisa, geralmente mais
complexa e abstrata. É algo, portanto, cujo valor ou significado é atribuído
pelas pessoas que o utilizam. Em nossa sociedade, por exemplo, a aliança é um
objeto que simboliza a união e a fidelidade entre os cônjuges no casamento.
Qualquer
coisa pode tornar-se um símbolo. As pessoas atribuem significados a um objeto,
uma cor, um hino ou um gesto, e estes se tornam símbolos de algo, como a
riqueza, o prestígio, a posição social elevada etc. Entre nós, a cor que
simboliza o luto é o preto; entre os povos orientais, é o branco. Esse exemplo
mostra que os símbolos são convenções, Ou seja, cada sociedade ou grupo social
pode se utilizar de símbolos diferentes para exprimir o mesmo significado.
A linguagem é um conjunto de símbolos. Por exemplo,
as palavras menino, boy, garçon e bambino significam todas
"crianças do sexo masculino", respectivamente em português, inglês,
francês e italiano. A linguagem é a mais importante forma de expressão
simbólica. Sem a linguagem não haveria organização social humana, em nenhuma de
suas manifestações: política, econômica, religiosa, cultural etc. Sem ela
provavelmente não existiria nenhuma norma de comportamento, nenhuma espécie de
lei, nenhuma criação científica ou literárias .
A
criança amadurece e se socializa à medida que aprende a usar símbolos. Podemos
dizer que todo comportamento humano é simbólico e todo comportamento simbólico
é humano, já que a utilização de símbolos é exclusiva da espécie humana. Sem os
símbolos não haveria cultura.
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